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Alysson Lisboa Neves Jornalista
30/Apr/2020 - 15h06 - Atualizado em 30/Apr/2020 - 15h09

Chegou a hora de ressignificar o humano

O Covid-19 nos obrigou a ficar em casa para refletir, olhar nossos filhos, repensar nossas famílias e nossa jornada de vida.


Por Alysson Lisboa Neves

O Covid-19 nos obrigou a ficar em casa para refletir, olhar nossos filhos, repensar nossas famílias e nossa jornada de vida. O comércio fechou, a economia faliu, assim como a bolsa de valores e, com ela, a riqueza do mundo despencou, pegando todos de uma só vez.
Estava realmente tudo muito estranho, mas a gente não sabia exatamente o que era. Ano passado já tinha sido um ano atípico e todos esperavam um 2020 de crescimento de colheita. Organismos internacionais há muito tempo nos avisam sobre problemas climáticos, tivemos enchentes jamais vistas no Brasil, crescimento das queimadas gerando certo impacto social e ruído político. Vivíamos em um mundo hiperacelerado. Havia um clamor para que deixássemos de lado os celulares e o excesso de trabalho para que cuidássemos mais das nossas famílias. 

O mundo começou a se adaptar à economia compartilhada para reduzir carros e a poluição. Vários alertas vieram, mas o mundo continuava rodando a uma velocidade estonteante. A gente só queria acumular. Acumulação de riquezas, malas de dinheiro, dinheiro na cueca, corrupção como jamais vista antes e falta de empatia tomaram proporções sem igual. Um motorista devolve uma mala de dinheiro para o verdadeiro dono e isso vira pauta de jornal. O que era comum se transformou em escasso. Ser honesto chegou a dar vergonha. 

Mas um novo momento chegou para ressetar o mundo. O Covid-19 nos obrigou a ficar em casa para refletir, olhar nossos filhos, repensar nossas famílias e nossa jornada de vida. O comércio fechou, a economia faliu, assim como a bolsa de valores e, com ela, a riqueza do mundo despencou, pegando todos de uma só vez. Para quem era mesmo essa riqueza que buscávamos? Como disse Clóvis de Barros, estávamos colhendo cenouras, indefinidamente. O jogo virou. O mundo dos negócios se transformou completamente. E não é uma crise pontual em um determinado país ou região. É uma reinvenção planetária.

ESTAVA TUDO CERTO, MAS ESTAVA ESQUISITO

O que vinha acontecendo no mundo e os fios soltos que indicavam mudanças já estavam na pauta. Mas isso era reservado a uma minoria. Alguns estudiosos trouxeram expressões como Comunicação Não-Violenta; Economia Circular; Empreendedorismo; Novos Espaços de Negócios; Cultura do Compartilhamento; Era dos Ganhos Exponenciais; Transformação Digital; Propósito das Marcas; Mudança de Mindset; Superinteligência; Wikinomics, Neuromarketing; Marketing 4.0; Indústria 5.0 e uma infinidade de outros termos. De alguma forma, todos falavam sobre uma era de mudanças, mas como disse Murilo Gun não seria uma mudança de era? Sem precedentes, o novo paradigma que estava por vir, uma necessidade de repensarmos a política, a educação, a ciência e o próprio sentido dos negócios.

O Empreendedorismo, a Inovação e os Novos Negócios a partir de agora precisam ser ressignificados. Teremos que provocar ensaios e discussões sobre o que muda e o que não faz mais sentido a partir de 2020. Na docência, sem dúvida, teremos nosso maior desafio. “A educação é um dos sistemas mais fechados do mundo”, afirmou Jesús Martín-Barbero, antropólogo e filósofo colombiano. Novos sistemas, não apenas o educacional, estão sendo reinventados. É imperativo a ressignificação de todos os setores da economia e de tudo que fizemos até então.

INÍCIO DA IDADE COMPLEXA

Partimos agora para a idade complexa e não cabe mais aceitar que precisamos mudar. Isso que acontece agora já nos modificou. Já nos faz repensar o valor do trabalho, olhar para o outro. Não há mais espaço que seja apenas o meu ou o seu. Nada mais é imutável. Até as linhas de produção, imaginem, foram alteradas. Fábricas de carro passaram a produzir novos produtos, como válvulas e respiradores, do dia para a noite, com o objetivo de salvar vidas. 

Sempre destacamos novas profissões ou habilidades do futuro e atribuímos à robotização e à Internet das Coisas como vetores para tais mudanças. Mas agora os robôs foram deixados de lado. Novas profissões e funções surgiram pela demanda global por sobrevivência. Quem nunca fez entrega de comida aprendeu a fazer. Quem nunca vendeu, passou a vender. Professores de ginástica usam as ruas e as sacadas dos prédio para aulas coletivas. Quem imprimia livros agora confecciona máscaras de proteção para o rosto. A partir do momento que passamos a conviver com o diferente, nossas fragilidades ficaram mais aparentes e passamos novamente a imaginar.

DE REPENTE, O DINHEIRO SUMIU

Onde estão as máquinas incríveis, para onde foi todo o dinheiro da bolsa de valores? Agora tudo emergiu, inclusive as nossas fragilidades. Não temos condição de manter vivos os nossos pacientes, faltam máscaras, respiradores, cooperação internacional. Não somos capazes de dominar essa doença apesar de toda a tecnologia, avanço científico e análise preditiva. Não sabemos como fazer para chegar suprimentos aos menos favorecidos, navios de guerra se transformaram em hospitais, empresas começaram a fabricar e doar produtos, lojas deixaram a rua e foram para a venda online. As redes sociais digitais voltaram ao seu papel inicial: o de propagar demandas e dar exemplos de solidariedade mundo afora. Nunca fomos tão desafiados. Empresas de qualquer porte jamais estiveram tão vulneráveis. As lideranças políticas nunca foram tão necessárias e os seres humanos nunca foram tão frágeis.

##COVID19##EmpreendedorismoFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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