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Alysson Lisboa Neves Jornalista
26/Oct/2016 - 11h49 - Atualizado em 26/Oct/2016 - 14h48

Como seremos avaliados no futuro?

Episódio de Black Mirror estampa uma realidade assustadora sobre reputação online


Por Alysson Lisboa Neves

É cada vez mais comum e crescente o uso das redes sociais para avaliar produtos, conhecer pessoas, suas preferências e dar notas sobre atendimento. O Facebook, a rede social mais popular do planeta tem hoje 1,5 bilhão de usuários ativos. É gente que não acaba mais. O Instagram, que pertence ao Facebook, tem se tornado cada dia mais popular. Já são mais de 500 milhões de usuários cadastrados.

O primeiro episódio da terceira temporada (Black Mirror) nos leva a refletir o quanto estamos vulneráveis à avaliação das pessoas no mundo conectado e abarrotado de dispositivos móveis.

Entrevistas de emprego, pedidos de amizade, parceria e até fechamento de contratos. Todas essas ações corriqueiras para a maioria das pessoas não acontecem mais sem antes uma breve conferida nas redes sociais. Avaliamos fotos, comportamentos, amigos em comum, currículo online, portfólio e, mais do que isso, o legado. Aquele vídeo que você fez há 10 anos pode depor contra você a qualquer momento. Aquela foto que você jurava ter apagado do Instagram ou aquele comentário inconveniente que postou no Twitter. Tudo isso deixa rastros difíceis de serem apagados.

A terceira temporada da série inglesa Black Mirror já está em cartaz no Netflix e retrata de modo quase apocalíptico o rumo que as avaliações online estão tomando. A primeira temporada que começou muito tímida vem ganhando adeptos, principalmente aqueles que estudam as redes e suas emaranhadas teias e conexões. Temas para pesquisa e discussão é o que não faltam em Black Mirror. O primeiro episódio dessa terceira temporada nos leva a refletir o quanto estamos vulneráveis à avaliação das pessoas no mundo conectado e abarrotado de dispositivos móveis.

O episódio intitulado "Perdedor" conta a história de uma mulher que, assim como grande parte da população, é constantemente avaliada e também avalia as pessoas. Cada interação, por menor que seja, rende estrelas positivas ou não. Conquistar uma nota superior a 4,5 é, não apenas sinônimo de prestígio, como também um modo de abrir portas a inúmeras vantagens. Descontos, preferência em embarques no aeroporto e convite para festas. As avaliações pelo celular que acontecem o tempo todo no episódio não segregam mais negros e brancos como no passado. A exclusão e abandono se dão agora por meio de uma avaliação em tempo real da sociedade hiperconectada.

Nota é rebaixada em tempo real

A atriz principal do filme, interpretada por Bryce Dallas, chegou a ter uma nota acima de 4 pontos, motivo que pesou para sua escolha como madrinha de casamento da amiga. A personagem se vê no fundo do poço quando invade a festa de casamento e rouba a cena com um discurso conturbado. O público presente reage rebaixando as avaliações. Exageros à parte, o episódio "Perdedor" é uma crítica inteligente sobre o mundo digitalizado que vivemos hoje. Reflete a mudança de valores e a banalização da crítica ao outro. Será que já enfrentamos a discriminação quando temos poucos likes ou shares? A certeza é que nossos rastros sociais, por meio das mídias eletrônicas, nos condenam ou nos elevam de modo jamais visto. Gostar e desgostar das pessoas virou um algoritmo e passa a reger a nossa conduta de vida. Então, qual a nota que você teria?

#blackmirror#netflix#reputacaoFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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