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Alysson Lisboa Neves Jornalista
10/Nov/2017 - 10h27 - Atualizado em 10/Nov/2017 - 12h33

Estamos mais próximos da cultura da inovação após o sucesso da Finit 2017

Feira motivou e atraiu as famílias durante os quatro dias do evento. A inovação e a tecnologia entram no calendário de Minas Gerais


Por Alysson Lisboa Neves Belo Horizonte

Vocês pensaram em criar um produto antes do programa Meu Primeiro Negócio? Perguntei a cinco jovens estudantes do ensino médio do Colégio Estadual Dom Bosco, de Contagem, e eles foram bem diretos: “Não, mas a ideia agora é continuar a empreender”.

Um dos momentos de maior interação da plateia foi o Shark Tank. Startup do Seed recebeu investimento 

Crédito: Simi/Divulgação

Mais que fazer números, a Finit - Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia, realizada no Expominas, em BH, de 31 de outubro a 5 de novembro, começa a fazer a mudança na vida de milhares de jovens e empreendedores. Toda a movimentação que acontece hoje no campo da tecnologia reforça o espírito inovador de Minas Gerais.

A alegria estava estampada no rosto de Franciellen Aline, Everton Chrysler, Cassio de Sena, José Augusto e Isabela Ferreira ao apresentarem o Desenrolafone, uma solução simples para evitar que os fios dos fones de ouvido se partam. No estande do Meu Primeiro Negócio, que ficou lotado durante todos os dias da feira, era visível perceber o brilho nos olhos desses jovens empreendedores.

“A gente acaba conhecendo pessoas novas e se apaixonando pelo projeto”, comemorava Ana Julia, outra adolescente empreendedora que participou também expondo seus produtos no estande do Meu Primeiro Negócio. Estratégias de vendas, plano de negócios e muita disposição. Empreender passou a fazer parte do cotidiano das escolas públicas há menos de dois meses, quando o programa foi iniciado e hoje já são 120 instituições de ensino participantes. Os alunos aprendem a gerir uma pequena empresa e a comercializar seus produtos.

O que fica de um evento como a Finit?

Diretores de grandes empresas, fundos de investimento e CEOs de startups ocuparam os quatro dias da feira, fazendo negócios e conexões. Passavam pelos largos e concorridos corredores, sentavam para fechar negócios, conversavam com startups e trocavam cartões. Mas a Finit foi bem além disso.

Quem acompanhou a primeira edição em 2016 e esteve também visitando o evento este ano, percebeu a clara mudança de cenário. Além de expor tecnologias e lotar os espaços com mais de 300 horas de palestras, cresceu muito o número de jovens trazidos pelos pais ou participando de modo efetivo. No Lounge do Simi, por exemplo, na Arena Experience, a oficina de programação realizada pelo Cotemig atraiu muitos jovens. Esse ambiente demonstra claramente que a inovação começou a fazer parte do cotidiano das famílias. A semente está sendo plantada.

É muito comum citar o Vale do Silício, nos Estados Unidos, quando o assunto é tecnologia, mas muitos se esquecem que aquele ambiente, hoje reconhecidamente um polo de inovação, abrigava desde a década de 1980 empresas de base tecnológica. Isso permitiu uma mudança gradativa de cultura naquela sociedade e a incorporação do espírito empreendedor entre a população.

O que se busca em Minas Gerais é exatamente o mesmo. Um ambiente assim foi experimentado durante a semana da Finit. Gente de todas as idades se dividiam entre palestras, cursos e oficinas, respirando um infindável mundo de conteúdo.

“Minas Gerais está uma década atrás do Reino Unido no que se refere a ambiente inovador, mas não vamos precisar esperar mais uma década para ver a mudança na cultura empreendedora do Estado.” Quem disse isso foi Marconi Siqueira, gerente de investimentos do Reino Unido, em visita ao Seed, em Belo Horizonte.

Essa mudança de cultura, que aos poucos vai tomando conta de Minas Gerais, é fruto de um trabalho que ganha adeptos a cada dia e se fortalece rapidamente. A divulgação do evento por meio dos agentes de inovação permitiu que caravanas se deslocassem de todos as regiões do Estado, respirando o ar da inovação que circulava no Expominas durante a Finit.

Estandes de escolas de tecnologia, universidades, especialistas em robótica e programação também ganharam destaque e o interesse de quem passava pela Arena Experience, dentro da Finit. Teve Shark Tank com investimento ao vivo em startup mineira. Palestras sobre futurismo e vários outros eventos ligados ao ecossistema de inovação atraíram milhares de pessoas que aproveitavam a atmosfera do lugar, como a Inforuso, 100 Open Startups e o congresso da Anpei.

A Finit deixa uma grande pergunta no ar: é possível mudar a economia de uma região com ações desse porte? A resposta, observando os olhares de satisfação de jovens correndo pelos espaços da feira, não deixa dúvida. O evento entrou para o calendário oficial como o maior exemplo de que mudar um país passa também por mudar a sua cultura. E a nossa é repleta de inovação.

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Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Especialista em produção em mídias digitais e mestre em comunicação digital interativa pela Universidad de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, tendo passado pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. Professor de pós-graduação no Centro Universitário Una. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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