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Alysson Lisboa Neves Jornalista
25/Jan/2017 - 10h52 - Atualizado em 22/Jun/2018 - 13h58

Hugo Barra deixa a Xiaomi e vai liderar divisão VR do Facebook

O engenheiro, que nasceu e viveu em Belo Horizonte, terá um novo desafio no Vale do Silício trabalhando com realidade virtual no Facebook


Por Alysson Lisboa Neves
O mineiro Hugo Barra deixa o cargo de vice-presidente da chinesa Xiaomi
Crédito: Divulgação/Xiaomi

A meteórica trajetória desse mineiro de Belo Horizonte é realmente de impressionar. Ex-aluno do Colégio Pitágoras, na Região da Pampulha, Hugo Barra era tido pelos colegas de sala como um aluno exemplar, educado e muito inteligente. Hugo foi o engenheiro responsável pelo desenvolvimento do sistema operacional Android e trabalhou no Google por cinco anos. Depois disso, assumiu o posto de vice-presidente da chinesa Xiaomi, startup criada em 2010. A empresa cresceu vertiginosamente e quatro anos mais tarde já era avaliada em US$ 46 bilhões, segundo o site Gizmodo. Sua função na empresa era a expansão mundial da marca, até então concentrada no mercado chinês.

Depois da chegada do brasileiro, a empresa começou a operar na Indonésia, Filipinas, Taiwan e Índia. O desembarque no Brasil foi anunciado com muita pompa em 2015, mas o lançamento do produto não causou interesse nos aficcionados por tecnologia. Apesar de ser um produto inovador com um belo design e principalmente preço convidativo (R$ 499), a marca não ganhou adeptos no Brasil. Um ano depois, ao que tudo indica, as operações foram encerradas. Por meio do telefone de atendimento do site, a atendente confirma que os aparelhos não estão mais disponíveis em estoque e não há previsão de chegada de uma nova remessa.

Mas o que marca essa queda tão vertiginosa da Xiaomi?

Alguns analistas e sites especializados apontam que o crescimento da marca e sua expansão global foram barrados pela concorrência. O modelo Redmi2, comercializado exclusivamente pelo site, não conseguiu vendas expressivas. Como a adesão foi baixa, eles começaram a apostar no mercado de varejo, mas pelo valor do produto o consumidor brasileiro, sempre desconfiado, preferiu aderir aos aparelhos de marcas conhecidas, como Samsung, Motorola e LG.

Segundo post publicado no Facebook, Hugo Barra vai continuar como conselheiro da empresa, contribuindo na expansão internacional da marca. Ele alegou ainda que o excesso de trabalho afetou sua saúde e, portanto, vai tirar férias para repor as energias. O engenheiro, que estudou na UFMG, anunciou via Twitter que vai assumir a divisão de realidade virtual do Facebook, no Vale do Silício tão logo retorne das férias. 

Por que é tão difícil reter talentos?

Em 2010, segundo dados do site do Ministério das Relações Exteriores, meio milhão de brasileiros trabalhavam em outros países e não é apenas no futebol que exportamos talentos. Nas áreas da inovação e tecnologia é comum encontrar brasileiros atuando fora do Brasil. Hugo Barra foi seduzido a deixar o país quando ainda era estudante de engenharia na UFMG. Ele teve a oportunidade de estudar fora e nunca mais voltou.

Mesmo com 7,83 milhões de pessoas matriculadas em universidades no Brasil, segundo o site DataViva, a vontade de exercer a profissão fora é um desejo comum. Pesquisa da Catho aponta que 79% dos candidatos a uma vaga de emprego aceitariam trabalhar em outro país.

O desejo de deixar para trás a família e as raízes está intimamente ligado à falta de infraestrutura dos nossos centros de pesquisa e o tímido investimento do país em laboratórios de pesquisa na área de inovação. Além disso, os salários no exterior, em média, são maiores. Isso sem contar com a qualidade de vida e a bagagem de conhecimento trocada com profissionais de outras partes do mundo.

No entanto, algumas iniciativas buscam reter talentos e promover o desenvolvimento regional. O Seed - Programa de Aceleração de Startups do Governo de Minas Gerais - tem conseguido avançar nesse sentido, incentivando o ecossistema de inovação e proporcionando um ambiente acolhedor. O objetivo é acelerar empresas de outras partes do Brasil e do mundo para que, ao final do programa, possam se instalar em Minas Gerais e gerar novos empregos.

O edital para a quarta rodada do Seed será lançado em breve. Informações sobre o programa podem ser obtidas clicando aqui. Fique ligado!

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Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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