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José Luis Braga Professor orientador do IETEC-MG
13/Jun/2018 - 09h57 - Atualizado em 19/Jun/2018 - 10h38

Novas tecnologias e a construção civil

Impacto da impressora 3D abre espaço para startups no setor da construção civil


Por José Luis Braga

O famoso Empire State Building, que fica na ilha de Manhattan na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, teve sua construção iniciada em 17 de março de 1930 (dia de St. Patrick, padroeiro irlandês), e foi oficialmente inaugurado em 1º de maio de 1931. Tem 102 andares, 381 metros de altura até o telhado e 443 metros se incluída a antena que fica no seu topo. É o quinto prédio mais alto dos EUA e o vigésimo nono mais alto do mundo.  Em pouco mais de um ano, esse edifício símbolo da cidade e muito visitado, saiu do chão e foi terminado, e o padrão de eficiência e segurança associados com a obra passaram a ser referência de produtividade para a indústria de construção civil. Claro que há um contexto histórico aí: competição para ter o edifício mais alto do mundo, o que certamente ocasionou um aporte de recursos maior, mais equipamentos, talvez trabalhadores mais bem treinados etc.

Apenas oitenta e sete anos depois, o setor de construção civil está passando por uma transformação tecnológica sem precedentes, que certamente vai proporcionar ganhos de produtividade comparáveis aos da construção do Empire State Building. Estamos assistindo à evolução e à revolução proporcionadas pelo movimento Makers, que é a evolução do faça-você-mesmo do século passado (DIY-Do It Yourself), melhorado com adição de novas tecnologias. Entre elas, a “impressão 3D” tem causado grande impacto pelo que já consegue proporcionar, e pela visão do impacto futuro que essa tecnologia sozinha pode causar. Esclarecendo, “impressão 3D” se refere à obtenção de artefatos dos mais variados tipos, desde objetos de uso pessoal até partes a serem utilizadas em equipamentos industriais, armas de fogo, próteses, utilizando o conceito de “deposição em camadas”, como acontece na impressão tradicional de tinta em cima do papel. Só que usando outros materiais para deposição, como plásticos, concreto, fios de plástico ou de metal, etc. e um equipamento que por sua semelhança com o processo de deposição das impressoras tradicionais de jato de tinta ou laser, passou a ser chamado de “impressora 3D”. Por enquanto, o nome está servindo bem ao seu propósito e fica fácil entender a ideia.

Impacto da Impressora 3D

Como a impressão 3D está impactando a construção civil? Paredes inteiras podem ser produzidas como painéis impressos por impressoras 3D, com formatos e funções específicas para a construção, e já com as tubulações e encaixes necessários para fiação e outras exigências. O maior uso atual ainda é a impressão dos moldes para produção dos painéis, que têm maior precisão nas medidas e podem ser distribuídos nos vários locais onde são necessários, com aumento na produtividade e melhoria nos encaixes dos painéis. As impressoras são muito grandes, como vocês já devem ter imaginado. Para terem uma ideia do tamanho de uma impressora para esse uso específico, aproximadamente um equipamento com 30 metros de altura, 8 metros de largura e 5 metros de profundidade (100x25x15 pés), é usado para imprimir moldes (formas) de até 2 metros de altura por 1,5 metro de largura.

As primeiras construções inteiras, casas pequenas, estão começando a aparecer, utilizando concreto como material para a deposição ou impressão. Para a construção de prédios, a produção de painéis específicos ainda é o padrão, pois dependem de estrutura de sustentação que deve ser preparada antes, com vigas de aço ou colunas e cintas de concreto. Mas, lembrem-se, isso é por enquanto, pois certamente os equipamentos vão evoluir a ponto de permitirem a impressão de prédios inteiros. Muita informação já está disponível sobre essa evolução e revolução na construção civil. Vejam na Wikipedia uma boa referência, rica em informações e links interessantes.

Demanda por pesquisa e espaço para startups

A pesquisa por novos materiais, adequados aos usos das impressoras 3D em processos produtivos, é fundamental para a evolução do setor. Está aí uma área ainda aberta, em que materiais tradicionais estão sendo adaptados para uso nas impressoras 3D. A expansão do uso vai certamente acelerar a demanda por pesquisa e produção de novos materiais, talvez ainda nem pensados. Do ponto de vista de trabalho e emprego, o uso em larga escala das impressoras 3D na construção civil vai acabar com os empregos de baixa qualificação e, ao mesmo tempo, vai exigir profissionais com maiores qualificações para poderem lidar com novos desafios de montagem das construções, utilização das impressoras 3D na produção, gestão da produção, manutenção de equipamentos envolvendo tanto software quanto hardware. Reparem que estou usando o termo “montagem” e não “construção”. Sim, no futuro próximo vamos fazer montagem de construções, e não propriamente construir com tijolo e massa como é feito hoje.

Enxergo muito mais oportunidades do que ameaças no setor de construção civil, terreno fértil para novas startups de tecnologia. Só no último parágrafo citei várias áreas que vão ter que se desenvolver em paralelo com o uso disseminado das novas tecnologias.

#inovação#startups#impressora3d#mercadoFavoritar

Sobre o autor
José Luis Braga Professor orientador do IETEC-MG

Professor orientador no Mestrado em Engenharia de Sistemas e Processos no IETEC-MG. Graduado em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1976), mestrado em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980) e doutorado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1990). Pós-doutoramento na University of Florida (1998-1999). Professor Titular aposentado do DPI – Departamento de Informática, UFV, 2013.

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