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Processo inovador para separar óleo da água é o vencedor do Programa na UFMG |
Setores de interesse
Governo, Inovação e Legislação
Mestrandos e doutorandos da Química, Bioquímica e Imunologia criam Plano de Inovação que vai representar a universidade no Concurso Estadual
O projeto para separação de óleo-água por meio de nanopartículas anfifílicas foi eleito o Plano de Inovação vencedor do Programa Mineiro de Empreendedorismo na Pós-graduação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Aluir Dias Purceno, da Química, Juliana Lott Carvalho e Felipe Tadeu Fiorini Gomide, da Bioquímica e Imunologia vão representar a instituição no Concurso estadual, em outubro, durante a 6ª edição da Inovatec, e concorrer à visita a um centro de inovação no exterior.
O Plano da equipe intitulada “Nanotug” associa o uso de vermiculita, um mineral abundante no Brasil que tem muita afinidade com a água, com a síntese de nanotubos de carbono, que possuem grande afinidade com o óleo, para criar nanopartículas anfifílicas — moléculas que possuem em sua estrutura duas polaridades diferentes associadas, uma solúvel em água e outra que recusa a água. Assim, forma-se um material desemulsificante, que é capaz de interagir com água e óleo e muito utilizado para a purificação e processamento de óleos vegetais, tratamento de efluentes industriais e pela indústria de petróleo.
Atualmente, o gasto da Petrobrás com o processo é de U$ 1 bilhão por ano e a demanda tende a aumentar com a exploração do pré-sal. “Gasta-se muito com desemulsificantes, já que os produtos existentes no mercado têm um custo alto e não são biodegradáveis”, aponta Aluir Dias. Ele explica que as nanopartículas podem ser utilizadas até cinco vezes sem perder eficácia. “Além disso, os desemulsificantes comumente usados contaminam o petróleo, por isso, é preciso recorrer a outros reagentes para separar os resíduos. Já a nossa tecnologia propõe separar a mistura sem contaminá-la. Com isso, diminui-se o custo”, aponta. A redução de gastos com o uso do novo produto pode chegar a 80%.
Segundo Aluir, a ideia é transformar a Nanotug em uma plataforma tecnológica, cujo principal produto serão as nanopartículas e, posteriormente, incorporar outros produtos de separação e tratamento de efluentes e desemulsificantes. “Estamos analisando se é melhor vender diretamente para as indústrias de petróleo ou fazer parceria com indústrias que já vendem esse tipo de substâncias para entrar no mercado”, explica. A expectativa é colocar o projeto em prática em 2014.
O plano concorreu com as equipes Bufalofert, que visa criar uma empresa de fertilização in vitro especializada em búfalos; e a Ciclo Soluções Ambientais, que pretende fundar uma empresa cujo negócio é elaborar projetos e consultorias para a captura de CO2 em plantas industriais potencialmente poluidoras, por meio do uso de resíduos industriais.
Marcílio Cenísio, do grupo Bufalofert afirmou “foi positivo ver que dentro da universidade é possível empreender. Torço para que exista cada vez mais incentivo, para a pessoa da universidade ser cada vez mais empreendedora”. Já a Plínio César de Carvalho, do grupo Ciclo conta: “Antes eu tinha apenas uma idéia e pensava que poderia dar certo. Agora seu que pode se tornar real. Amadureci e vou levar a idéia para o doutorado e buscar parcerias com empresas para continuar”.
Programa Mineiro de Empreendedorismo
O Programa Mineiro de Empreendedorismo na pós-graduação é programa gratuito que visa desenvolver habilidades de empreendedorismo e inovação em alunos de mestrado e doutorado de 13 universidades públicas de Minas Gerais, por meio de um método inovador, chamado Empreendedorismo de Base Tecnológica (Embate). A metodologia coloca as equipes em situações do cotidiano de um empreendedor e as desafia a encontrar soluções inovadoras para problemas, lidando com improviso, tempo escasso, pressão e alta competitividade.
Ao final dos cinco dias de Embate, cada equipe constrói um plano de inovação. O exercício ajuda os alunos a estruturar uma ideia ou conhecimento científico em forma de produto, tecnologia ou negócio inovador que possa ser aplicado no mercado. Trata-se de um aprendizado prático que eles poderão utilizar em suas carreiras e para toda a vida. A Universidade Federal de Lavras (Ufla), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) e Universidade Federal de Viçosa (UFV) são algumas das instituições que já receberam o programa.
O Programa é realizado pelo Sistema Mineiro de Inovação (Simi), em parceria com o Instituto Inovação/ Inventta, empresa privada cujo negócio é promover inovação tecnológica. Conta, ainda, com patrocínio da Fiat e apoio da Anpei.
(Com a colaboração de Marina Daldegan - Interface)
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