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13/Out/2016 - 00:00 - Atualizado em 11/Out/2016 - 14:04

Cientistas desenvolvem projeto para recuperação de metais em lixo eletrônico

Por meio do processo de hidrometalurgia, pesquisadores realizam a recuperação de ouro e cobre presentes nas placas eletrônicas


Por Paula Isis/SIMI
Equipe da Unileste responsável pelo projeto de recuperação de metais em lixo eletrônico
Crédito: Arquivo Pessoal

Composto em sua grande maioria por metais e componentes químicos, o lixo eletrônico é mais poluente que o lixo comum e pode causar dano à saúde humana e animal se estiver deposto em locais inadequados, o que é bastante comum, pois, as cidades brasileiras não preveem sua separação do lixo doméstico.

Pensando em solucionar parte deste problema, um grupo de pesquisadores do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste) desenvolveu um projeto de recuperação de metais, como ouro e cobre presente no lixo eletrônico, a partir do processo de hidrometalurgia - processo de extração ou refino de algum metal através de reações químicas com ataques ácidos ou básicos para retirar o metal preso no minério.

Segundo o professor da Unileste, Leonardo Ramos de Paes Lima, atualmente existem vários processos para fazer a recuperação de alguns metais mais valiosos, porém, em todos os casos ocorrem geração de poluentes de alto teor tóxico e que geram maiores impactos ambientais do que o próprio lixo descartado. “A maioria deles incineram o lixo para queimar todos os plásticos e isolar os metais. Alguns outros processos hidrometalúrgicos envolvem o uso de reagentes altamente contaminantes, como o mercúrio e o cianeto. A nossa proposta é desenvolver um processo que não gere resíduos tóxicos e que seja economicamente viável em grande escala”, destaca.

Ramos explica que inicialmente a proposta era somente da recuperação de ouro e cobre. Após bons resultados com esses metais, “estamos trabalhando na recuperação e tratamento de outros metais como prata, chumbo, estanho e níquel, e também estamos pesquisando em como reutilizar os polímeros presentes no lixo”. 

Realizado em escala laboratorial, o pesquisador explica que a quantidade de material recuperado foi armazenada para análises de eficiência do processo. “Estamos levando o processo para escalas maiores e a previsão é de que o metal recuperado possa ser vendido e voltar a circular no mercado”.

Benefícios para o mercado

De acordo com o professor, as minas e reservas dos metais usados na fabricação das placas eletrônicas estão se esgotando e o custo de mineração está ficando muito alto. Isso faz com que o preço da matéria-prima suba. “Assim, com um processo de recuperação dos metais eficiente, a requisição de mineração irá diminuir e a pressão sobre o preço dos metais irá reduzir”, pontua.

Ramos elencou as vantagens de um processo eficiente e economicamente:

-Geração de novos empregos através de um novo setor industrial;

-Aumento na economia local devido ao valor dos metais a serem extraídos;

-Inserção de metais, não extraídos em nosso país, no mercado local.

-Redução de impactos ambientais gerados pelo descarte indevido.

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