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11/Out/2018 - 07:00 - Atualizado em 10/Out/2018 - 16:47

Estudo identifica superbactérias imunes a antibióticos em todo o planeta

Pesquisa, que contou com apoio da UFMG, mostra risco de o material genético identificado ser transferido para bactérias patogênicas


Por Redação Belo Horizonte/MG

Nos tempos atuais, novas e diferentes opções de medicamentos para tratar doenças surgem frequentemente. Os antibióticos, por exemplo, são medicamentos utilizados para tratamento de infecções bacterianas. No entanto, um estudo, iniciado em manguezais da Índia, Arábia Saudita e do Brasil e, posteriormente expandido para outros ecossistemas, detectou uma grande concentração de genes que geram resistência à ação desses fármacos.

A pesquisa, que contou com a contribuição de professores do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, aponta o risco da emergência de “superbactérias”, imunes à ação dos antibióticos, caso o material genético seja transferido para bactérias patogênicas, ou seja, causadoras de doenças.

Os micro-organismos identificados nos manguezais das três regiões foram mapeados geneticamente e comparados com amostras de ambientes diversos, entre terrestres e marinhos. O estudo apontou que há prevalência, em todos os ecossistemas analisados, de genes de resistência a antibióticos e metais pesados como cobalto, zinco e cádmio.

Bactérias resistentes a esses materiais geralmente têm mecanismos de desintoxicação mais eficientes, o que pode tornar viável a clonagem de seus genes para a produção de instrumentos destinados à redução da poluição ambiental.

Riscos

A partir da comparação dos micro-organismos dos manguezais com os de oceanos, florestas, campos, pastagens e áreas de cultivo agrícola de todas as partes do mundo, os pesquisadores observaram que o padrão se repetiu não só nas áreas próximas às cidades – onde há influência de fatores como descarte de esgoto –, mas também nos lugares mais remotos e preservados. “Isso mostra que os efeitos da ação humana não ficam isolados, mas se propagam em todas as direções”, argumenta Aristóteles Góes-Neto, do Departamento de Microbiologia do ICB, um dos autores do estudo.

Segundo Aline Martins Vaz, residente de pós-doutorado, colaboradora no Laboratório de Biologia Molecular e Computacional de Fungos, caso as bactérias patogênicas adquiram esses genes de resistência, tratamentos serão dificultados e mais mortes poderão ocorrer. “As bactérias multirresistentes, possivelmente, serão mais comuns em um futuro próximo”, projeta. A pesquisadora aponta, ainda, a necessidade de políticas públicas de orientação à população, visando diminuir a poluição ambiental e o uso indiscriminado de antibióticos.

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Fonte: Boletim UFMG

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