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20/Out/2017 - 00:00 - Atualizado em 18/Mai/2018 - 10:40

Pesquisadores da UFMG criam dispositivo que determina a idade gestacional de recém-nascidos

Objetivo é utilizar a tecnologia para reduzir o risco de morte ou de sequelas em bebês prematuros


Por Redação
Testes com o dispositivo foram feitos em duas maternidades de Belo Horizonte
Crédito: Zilma Reis/Arquivo pessoal/UFMG

O nascimento prematuro é uma das principais causas de mortalidade infantil até 5 anos de idade em todo o mundo. No Brasil, a cada 30 segundos um bebê morre em consequência do parto antecipado. Dados da organização não governamental Prematuridade.com ainda apontam que os bebês prematuros representam 11,7% do total de nascimentos no país. A maioria dos casos decorre de gestações na adolescência ou tardias, pré-natal deficitário e doenças maternas.

O nascimento prematuro exige uma série de cuidados especiais para reduzir o risco de morte ou de sequelas no recém-nascido, como suporte respiratório e controle de temperatura, por exemplo. Por esse motivo, determinar corretamente a idade gestacional ao nascer pode auxiliar a equipe de saúde a tomar decisões para o melhor cuidado com o bebê.

Diante dessa realidade, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um novo método para determinar com maior precisão a idade gestacional de recém-nascidos. Batizado de Projeto Skinagem, o dispositivo criado pela equipe utiliza luz de LED para fazer a análise, determinando a idade com uma margem de erro de 11 dias. Com as técnicas utilizadas atualmente a margem é de 3 semanas.

A solução se enquadra principalmente à realidade de países e regiões de baixa e média renda, onde nem sempre há um pediatra na sala de parto ou não existe um bom acompanhamento pré-natal.

Tecnologia

Com o objetivo de desenvolver uma tecnologia acessível e de baixo custo, a equipe do projeto criou um protótipo de fotometria. O dispositivo é composto de um sensor não invasivo que emite luz de LED sobre a pele do bebê e capta sua resposta. São utilizadas três cores de luz de LED, cada uma com um comprimento de onda que identifica determinado elemento da pele: colágeno, queratina e glóbulos vermelhos. A informação é analisada por um processador que a interpreta e associa à idade gestacional.

A equipe do projeto realizou testes nas maternidades do Hospital das Clínicas da UFMG e do Hospital Sofia Feldman, com 115 recém-nascidos de 24 a 41 semanas, que pesavam entre 150g e 3,5kg. Os locais foram escolhidos por possuírem ambientes hospitalares de excelência, onde seria possível ter certeza das idades gestacionais para comparação com o resultado oferecido pelo dispositivo. Após essa etapa, foi possível criar o modelo tecnológico para ser aplicado em locais que não oferecem as mesmas condições.

Os próximos passos do projeto deverão envolver testes em diferentes ambientes no Brasil e no exterior, com suporte de colaboradores internacionais. A equipe também pretende testar o dispositivo em recém-nascidos de cores de pele diferentes para validar os resultados iniciais. As conclusões do estudo foram publicadas no mês passado, na revista Public Library of Science. O projeto foi financiado pela Bill & Melinda Gates Foundation e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

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