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14/Fev/2019 - 11:00 - Atualizado em 14/Fev/2019 - 11:11

Técnica brasileira visa o transplante de órgãos de porcos para humanos

Órgãos suínos são semelhantes aos de humanos e podem ajudar pessoas que têm rejeição a qualquer rim humano


Por Redação Belo Horizonte/MG
Órgãos serão modificados para se tornarem compatíveis com o organismo humano
Crédito: Pixabay

Uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) estuda a possibilidade de realizar transplantes entre porcos e humanos. A técnica é desenvolvida no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e surge como opção para reduzir ou acabar com a fila de transplante de órgãos no Brasil, que é o segundo país do mundo em número absoluto dessas operações.

Segundo Mayana Zatz, professora do IB e pesquisadora responsável pelo estudo, os órgãos dos suínos são muito semelhantes aos de humanos, mas seriam rejeitados se transplantados hoje. “A ideia é modificá-los para que se tornem compatíveis com o organismo humano”, disse.

Atualmente, porcos modificados para esse fim são criados em países como Alemanha e Estados Unidos, com resultados promissores de transplantes de seus órgãos em macacos. Três genes que provocam a rejeição já são conhecidos. Desativando-os por meio de uma técnica de edição gênica é possível fazer com que o sistema imunológico humano não os rejeite.

O sangue dos porcos será testado com o de pessoas que estão na fila de transplante de rim, a fim de verificar a presença de anticorpos que possam rejeitar os órgãos suínos na população brasileira.

As amostras fazem parte da soroteca do Laboratório de Imunologia do InCor. Atualmente, mais de mil amostras de soro de pacientes candidatos a transplante de rim que têm rejeição a qualquer rim humano compõem a soroteca.

“Trata-se de desenvolver um produto de base biotecnológica nacional, cujo objetivo final será prover à população em fila de espera para transplantes uma alternativa terapêutica viável e definitiva, que pode encurtar o sofrimento do paciente e seus familiares”, disse Zatz à Agência Fapesp.

A fase inicial do projeto tem duração prevista de três anos e prevê ainda compatibilizar aspectos éticos, religiosos e legais do xenotransplante - nome dado a transplantes entre diferentes espécies - pela criação de uma cátedra sobre o assunto no Instituto de Estudos Avançados.

Para uma leitura mais completa, acesse o site da Fapesp.

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