Notícias

< voltar
09/Nov/2017 - 17:20 - Atualizado em 10/Nov/2017 - 10:49

Mineiro de Muriaé desenvolve app para ajudar pacientes com câncer

Wecancer visa facilitar a rotina de pessoas com a doença e melhorar o acompanhamento médico


Por Pedro Matos/SIMI Belo Horizonte
Após acompanhar de perto a luta da mãe contra um câncer, jovem criou aplicativo para ajudar outros pacientes
Crédito: Arquivo pessoal/Cesar Filho

Nascido em Muriaé, uma pequena cidade mineira com pouco mais de 100 mil habitantes, Cesar Filho, de 26 anos, ainda estudava Biologia, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), quando acompanhou a luta da mãe, Cida, contra um tumor de colo de útero.

Após 11 meses acompanhando de perto a doença, Cesar perdeu a mãe. Nesse período, conheceu diversas pessoas com diferentes tipos de câncer. O que lhe chamou a atenção foi o fato de alguns padrões se repetirem entre os pacientes. “Em geral, as pessoas com câncer vão ao médico de 30 em 30 dias. E quando conversam com o oncologista já não conseguem se lembrar de todos os sintomas que tiveram desde a última consulta”, conta o jovem empreendedor.

Pesquisando sobre automonitoramento, César Filho desenvolveu a Wecancer, com o objetivo de auxiliar pacientes na quantificação dos sintomas e no acompanhamento da doença. “A ideia da Wecancer é fazer o monitoramento remoto de pessoas com câncer, facilitando a vida dos pacientes e dos médicos”, explica.

O projeto consiste em um aplicativo onde o paciente pode reportar todos os sintomas e detalhes de sua rotina. Os dados são disponibilizados posteriormente para o médico em outra plataforma. Assim, na consulta o oncologista consegue ter uma visão bem mais detalhada da doença, conseguindo fazer um acompanhamento preciso da evolução do câncer.

Recentemente, um estudo que teve destaque no Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017) mostrou que com o monitoramento de sintomas é possível obter um aumento de sobrevida de cinco meses em pacientes com câncer, maior do que o proporcionado por muitos tratamentos disponíveis.

No estudo, os pacientes utilizaram um sistema pelo qual reportaram em tempo real seus sintomas e queixas de saúde por tablets ou computadores em suas casas e na sala de espera da clínica. Mais de 700 pacientes tratados no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, usaram a plataforma durante a pesquisa, relatando efeitos colaterais do tratamento. Os pacientes com câncer metastático que usaram a ferramenta durante a quimioterapia viveram, em média, cinco meses a mais do que os demais pacientes da instituição.

Em setembro deste ano o jovem participou de um congresso na África do Sul onde apresentou a Wecancer para especialistas de diversos países.

Desafios

No início do projeto, em 2014, César Filho cadastrou a ideia no Startup Weekend de Vitória e ficou em segundo lugar na competição, viabilizando uma parceria com uma instituição local. Com a parceria, Cesar conseguiu uma bolsa de estudos na Califórnia para um curso de empreendedorismo.

Com poucos recursos, o muriaeense precisou buscar meios para financiar a viagem. Foi quando recebeu apoio para vender brigadeiros na universidade. “A Carla Bichara foi minha mentora. Ela já tinha empreendido em Belém do Pará com o James Brownie, que era uma empresa especializada em doces. Ela me ajudou muito nesse momento”, comenta.

Outro ponto de suporte que Cesar faz questão de destacar foi a oportunidade de participar de cursos na Fundação Estudar, uma instituição voltada para a potencialização da carreira de jovens. “Sem dúvida esse foi um momento fundamental para mim. Foi lá que ganhei autoconfiança e conhecimento para empreender e acreditar que seria possível alcançar meus objetivos”.

Com um mês de funcionamento, a empresa conseguiu quase R$ 10 mil em vendas de brigadeiros, permitindo que o idealizador da Wecancer estudasse nos Estados Unidos. Vários fatores como a falta de concorrência na Ufes, a popularidade de Cesar e o planejamento do negócio garantiram tal resultado.

Próximos passos

Atualmente, a Wecancer busca validar os resultados do monitoramento remoto. A startup pretende fechar novas parcerias com hospitais especializados para poder realizar testes com um número maior de pacientes. Cesar não descarta a possibilidade de permitir que a plataforma auxilie pacientes com outras doenças, mas garante que só fará isso quando realmente conseguir ajudar as pessoas com câncer. “Quero que a Wecancer seja fundamental no combate ao câncer. Nosso foco no momento é se tornar uma referência dentro da oncologia. Só depois disso pensarei em expandir o aplicativo para outros casos”, argumenta.

O quadro societário da Wecancer é composto ainda por Pedro Souza, responsável por engajamento de novos pacientes, e Lorenzo Cartolano, responsável pela gestão financeira e departamento jurídico na startup.

#empreendedorismo#inovação#tecnologia#saúde#oncologiaFavoritar

Comentários

As opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores, não serão aceitas mensagens com ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência. Clique aqui para acessar a íntegra do documento que rege a política de comentários do site.